Livros:
DUBOIS, Philippe. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004. (NO XEROX)
HANSEN, Miriam. “Reinventando o Nickelodeon. Considerações sobre Kluge e o primeiro cinema” em Alexander Kluge: O quinto ato.
pp. 44-66.
Filmes:
Jean-Luc Godard. Histoire(s) du cinéma. (1988, Gaumont)
Texto do catálogo: “A fixed feature in the VIENNALE program is the annual retrospective, realized in collaboration with the Österreichische Filmmuseum. The extensive and demanding program “The Way of the Termite – The Essay in Cinema 1909 – 2004” was curated by filmmaker and critic Jean-Pierre Gorin and accompanied by a series of selected lectures. With some 4000 visitors this retrospective scored a considerable success.”
Catálogo do festival com imagem do filme de Gorin “Poto and Cabengo”
Sobre “Poto and Cabengo”, excerto do texto de Erik Ulman “Jean-Pierre Gorin” no livro Grupo Dziga Vertov (Witz/CCBB, 2005. p.45).
“Poto aborda o tema “criança e linguagem” por meio do caso de duas jovens gêmeas de San Diego, Gracie e Ginny Kennedy, que pareciam ter inventado uma linguagem pessoal. Na verdade, esta linguagem era uma forma modificada do alemão e do inglês que elas escutavam no seu relativo isolamento doméstico. Gorin rastreia este assunto em todas as direções: a cobertura da imprensa sobre as gêmeas, que desbotou do sensacionalismo impreciso para o total descaso; as opiniões oficiais de psicólogos infantis e lingüistas; as ambições sociais da família das gêmeas, de situação infeliz e financeiramente precária. Além disso, Gorin evita a presunção de alternativas recorrentes em documentários, a reportagem neutra ou a onisciência “divina”: ao contrário, ele próprio entra na história como um investigador decidido e inexperiente, um Philip Marlowe cômico; e seu envolvimento crescente com as gêmeas, apresentando-as ao mundo, torna-se mais um fio dentro da “narrativa plural” do filme. Desta complexa rede de forças, Gorin revela muito sobre o encantamento e as pressões de um sonho americano ilusório; sobre a natureza social da linguagem; sobre o legado deslocado da emigração. E, ao mesmo tempo em que mantém estes importantes tópicos em jogo, Gorin nunca perde de vista a humanidade dos seus objetos de estudo (ele não é condescendente com os pais patéticos) ou a complexidade formal do filme, que varia constantemente nas permutações entre som, texto escrito e imagem — sempre, como no período Vertov, privilegiando o primeiro. Formal e tematicamente, o filme é uma peça de virtuose polifônica, ainda mais marcante por nunca perder sua leveza, mesmo quando toca na profundidade e na tragédia. “